O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026, de 2,3% para 2%. A estimativa de inflação também caiu, de 5,1% para 4,9%. Os números estão no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta terça-feira (22) pela Secretaria de Política Econômica da Pasta.
Serviços, indústria e agropecuária
A projeção de crescimento do PIB, produto interno bruto, caiu porque dois dos três setores da economia tiveram suas expectativas revisadas para baixo: serviços, de 2,4% para 1,8%; e indústria, de 2,1% para 1,7%. Já a agropecuária teve revisão para cima, de 1,8% para 2,8%, impulsionada por uma safra melhor que o esperado. Como serviços e indústria têm peso maior no PIB, a alta do agro compensou apenas parte da perda, sem impedir a queda geral da projeção.
Na edição anterior do boletim, divulgada em julho, o preço médio do petróleo para o ano estava projetado em US$ 79 o barril; agora, subiu para US$ 87. No mercado à vista, o Brent já opera acima dos US$ 100.
Juros
Segundo o Ministério da Fazenda, parte da pressão sobre os juros no Brasil vem de fora do país. A secretária de Política Econômica, Débora Freire, explicou por que esse movimento preocupa o governo:
“Há uma preocupação com os estoques globais de petróleo, então estamos em um momento em que os estoques de petróleo têm caído, têm baixado, o que eleva o prêmio de risco global e, obviamente, pressiona as taxas de juros mais longas. Basicamente, porque o que observamos é que a taxa de juros das economias avançadas, o juro longo das economias avançadas, tem aumentado consideravelmente nos últimos meses, muito em resposta ao cenário do petróleo, ao cenário de choque do petróleo”.
Mesmo com essa pressão externa, o Banco Central já reduziu a Selic para 13,75% ao ano, após cinco cortes seguidos, e o mercado espera mais uma queda até dezembro, para 13,5%.
Apesar dos juros mais baixos, o comprometimento das famílias com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível da série histórica, o que reduz o efeito do aumento da renda sobre o consumo.
Terceiro trimestre
Com a divulgação do PIB do segundo trimestre, a Fazenda também revisou a estimativa para o terceiro: crescimento de 1,8%, ritmo mais lento que o do período anterior. Diante desse quadro, o subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, detalhou a nova projeção para o PIB deste ano:
“Para o ano, a revisão do PIB esperado de 2026 sai de 2,3% para 2%. As revisões para baixo vieram no crescimento dos serviços e da indústria, contrabalançadas por um avanço maior esperado da agropecuária”.
2027
Para 2027, a Fazenda revisou a expectativa de inflação para cima, de 3,6% para 3,8%, por causa do El Niño, que deve afetar a safra de grãos e o preço da carne. A previsão de crescimento do PIB para o próximo ano, por sua vez, caiu de 2,5% para 2,3%.
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