Nesta quinta-feira (6) completam 300 dias do cessar-fogo que suspendeu as operações militares na Faixa de Gaza, nas ações do exército israelense contra os combatentes do Hamas. Mas o Unicef estima que pelo menos 300 crianças foram mortas desde o anúncio do acordo. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, mais bebês estão nascendo prematuros de mães em situação de fome, enquanto uma geração de jovens cresce sem educação e serviços básicos. A porta-voz do Unicef, Louise Wateridge, disse que não há incubadoras suficientes nos hospitais para os prematuros. Em alguns casos, até três bebês compartilham o mesmo equipamento.

“Desde que o cessar-fogo foi anunciado em outubro, uma criança foi morta em média todos os dias por mais de oito meses. As crianças em Gaza deram seus primeiros passos entre os escombros, pronunciaram suas primeiras palavras sobre o som ensurdecedor de bombas e ataques, e não conheceram nada além de guerra, deslocamento e perda. A infância não deveria começar em modo de sobrevivência”.
O número de mortes desde o cessar-fogo em 10 de outubro passa dos 1.200 palestinos. Nessa semana, foi realizado um funeral coletivo com os restos mortais de 112 pessoas de uma mesma família resgatados dos escombros dos ataques israelenses. Mais de dois milhões de pessoas vivem hoje principalmente na cidade de Rafah, ao sul de Gaza, entre prédios destruídos e lixo não removido.
Elas estão confinadas em um terço do que era a Faixa de Gaza antes do conflito. O exército israelense ocupa praticamente todo o litoral. Soldados ergueram uma linha de separação com blocos de concreto.
E autoridades palestinas em Gaza disseram que o acordo anunciado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para desarmar o Hamas está desconectado da realidade, segundo a agência Reuters, principalmente após Israel ter matado 18 palestinos em um único dia de bombardeio no domingo passado.
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