O Brasil enviou resposta aos Estados Unidos sobre a investigação aberta pelo governo de Donald Trump, que acusa o governo brasileiro de adotar “práticas desleais” no comércio. Em um documento de 29 páginas, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nessa quarta-feira (1°), o Brasil contestou a proposta de um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros sugerida pelo Representante Comercial dos Estados Unidos.
O Itamaraty destacou que a medida prejudicaria as próprias empresas norte-americanas. Vieira lembrou que 43 empresas e associações comerciais que atuam nos Estados Unidos solicitaram a exclusão de produtos de quaisquer tarifas, enfatizando “a ausência de substitutos nacionais e o risco de os custos serem repassados aos consumidores e às indústrias norte-americanas”.
Publicado em junho, o relatório do Representante Comercial dos Estados Unidos é resultado de uma investigação iniciada há um ano baseado na Seção 301 da legislação do país. Para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses, de não adotar medidas suficientes para combater a corrupção, o desmatamento ilegal, a falsificação de produtos, dentre outros argumentos.
A resposta oficial do Brasil destaca que a tarifa proposta corre o risco de minar, em vez de incentivar, o diálogo entre os países. Para o governo brasileiro, a ameaça do tarifaço foi politizada por autoridades dos Estados Unidos mirando as eleições de outubro no Brasil, usando esse processo como forma de interferir na escolha dos eleitores brasileiros.
Pix
Sobre o Pix, a resposta do governo brasileiro rebate o argumento de que o mecanismo discrimina empresas dos Estados Unidos. O texto lembra que o Google Pay Brasil e a Visa, empresas estadunidenses, atuam dentro do Pix. Além disso, o documento lembra que os Estados Unidos também desenvolveram uma infraestrutura pública de pagamentos, o FedNow, criado pelo Banco Central do país norte-americano.
O governo brasileiro ainda refutou os argumentos usados para justificar um novo tarifaço, inclusive o acesso ao mercado de etanol brasileiro e os acordos firmados com o México e a Índia. O Brasil sustentou que esses acordos comerciais foram negociados em conformidade com as regras do comércio global.
Desmatamento
Quanto ao desmatamento ilegal, o Itamaraty lembrou que o atual governo vem aumentando os gastos com monitoramento e combate aos crimes ambientais, destacando que o país é reconhecido internacionalmente por ter uma legislação ambiental rígida.
*Com informações da Agência Brasil
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