O Ministério da Saúde recomendou, nesta sexta-feira (26), dose extra da vacina contra o sarampo para crianças menores de 1 ano em São Paulo e em Guarulhos. A orientação foi dada após o registro de três novos casos da doença nessa faixa etária na Zona Norte da capital paulista.

A chamada “dose zero” é indicada para crianças entre 6 meses e um 1 de idade e é um reforço para proteger esse público, considerado mais vulnerável a desenvolver formas graves de sarampo. O reforço da vacina tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – é indicado na cidade de São Paulo e também em Guarulhos, onde há bastante circulação de pessoas de outros países por causa do aeroporto internacional.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti, explica as medidas que estão sendo adotadas para conter a transmissão local do vírus:
“Primeiro, as ações de vigilância, que visam conter a doença. Então, é feito todo um trabalho de busca de comunicantes dos casos, varredura vacinal nas redondezas do caso e também uma série de medidas de busca ativa, para ver se a gente encontra casos que, eventualmente, tenham passado despercebidos pela vigilância. Também são feitas ações de sensibilização e de intensificação da vacinação, para garantir que a comunidade fique protegida e o vírus não encontre espaço para se alastrar”.
Casos
Até o momento, o país tem seis casos de sarampo confirmados neste ano: um no Rio de Janeiro e cinco em São Paulo. Em fevereiro, a “dose zero” já havia sido aplicada em um bebê de seis meses que voltou da Bolívia, onde o surto da doença é ativo. Além dele, outro caso importado foi de um homem de 42 anos. Já os três últimos casos, são dois meninos e uma menina com idades entre 6 meses e 1 ano. Duas das crianças frequentam a mesma creche e a terceira mora na mesma região. Apesar de não terem feito viagens recentes, o Ministério da Saúde aponta que há indícios de contato com pessoas vindas do exterior.
Desde 2024, o Brasil está livre da circulação endêmica do sarampo, isto é, quando o vírus circula de forma constante em uma determinada região. No ano passado, foram registrados 38 casos importados ou relacionados à importação no país.
Com a Copa do Mundo nos Estados Unidos, no Canadá e no México, três países onde a circulação de sarampo é alta, o risco de exposição ao vírus se torna maior para os brasileiros que viajam.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti, ressalta que o sarampo é altamente contagioso:
“Num ambiente de não vacinados, um caso pode resultar de 12 a 18 casos secundários. É a doença infecciosa que mais transmite. Fica o recado para toda a população de até 59 anos de idade: procure uma unidade de saúde, verifique se a vacinação está em dia, para não deixar a doença chegar no nosso país. Então, a vacinação contra o sarampo protege o indivíduo, mas também dá uma contribuição na proteção da comunidade como um todo.”
Vacinação
O imunizante de reforço contra o sarampo não substitui a vacinação de rotina. A primeira dose da vacina tríplice viral deve ser aplicada aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos que não se vacinaram ou não possuem o comprovante de vacinação devem tomar duas doses. Quem tem entre 30 e 59 anos, deve tomar pelo menos uma dose.
3:56

