Um quarto da vegetação destruída no Cerrado nos últimos 40 anos fica a menos de 500 metros de rios. São quase 14 milhões de hectares perdidos, o equivalente ao tamanho do estado do Amapá.
Os dados foram divulgados pelo MapBiomas, nesta quinta-feira, 8, com análise da cobertura e uso da terra entre os anos de 1984 e 2025.
A perda de vegetação próxima aos cursos d’água pode aumentar o assoreamento, afetar a qualidade e a disponibilidade da água e deixar o terreno mais vulnerável a secas e chuvas intensas.
O impacto é social também, como explica a pesquisadora do MapBiomas, Bárbara Costa.
“O que acontece é que, por exemplo, a parte que é mais alta do rio, ela pode repercutir sobre quem tá utilizando a água lá na parte mais baixa. Então, dependendo da bacia, isso também pode envolver questões relacionadas ao abastecimento urbano, rural, irrigação, a própria produção agropecuária, pesca, turismo e a geração de energia.”
O Cerrado é conhecido como bioma berço das águas do Brasil, porque é nele que nascem rios de seis grandes bacias hidrográficas do país.
Bárbara reforça que o que acontece no Cerrado se estende a outras regiões.
“Preservar a vegetação no Cerrado, ela é importante não só para manter a biodiversidade do bioma, mas também para preservar processos que são ecológicos, hidrológicos e que sustentam a disponibilidade e a qualidade da água em diferentes regiões do país, não só no Cerrado.”
As bacias do Alto Tocantins e Araguaia registram as maiores áreas de vegetação nativa perdidas até 500 metros de rios: cerca de 5,7 milhões dos 14 milhões de hectares perdidos. As duas bacias abrangem os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Maranhão e Distrito Federal.
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