O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal sem a presença da Polícia Federal. O gabinete do ministro do Supremo, André Mendonça, confirmou que a oitiva foi realizada por requerimento da defesa de Vorcaro, que solicitou ser ouvido com urgência. Vorcaro foi ouvido na última quinta-feira, dia 27 de agosto.
Segundo a assessoria do ministro, tratou-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar. O depoimento foi colhido com a presença do Ministério Público por exigência legal.
A assessoria de Mendonça afirmou ainda que por normas do Conselho Nacional de Justiça, foi afastada a presença da equipe da Polícia Federal responsável pelas investigações, já que Vorcaro relatou graves intimidações por parte de policiais. O gabinete do ministro ainda afirmou que o conteúdo da audiência está resguardado por sigilo, e que não foram abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.
Nessa quarta-feira (2), o ministro André Mendonça assumiu que se reuniu com Daniel Vorcaro antes de assumir o inquérito que apura as fraudes do Banco Master.
Reportagem do Portal ICL revelou mensagens e áudios que revelam a articulação de ao menos uma reunião entre Vorcaro e Mendonça. O advogado Ciro Rocha Soares, enviou mensagens com foto com Mendonça para Vorcaro, e disse que o ministro do STF receberia o ex-banqueiro, que já sabia da situação do Banco Master. Mendonça é o relator da ação sobre as fraudes do banco no STF.
Em nota, André Mendonça disse que a única vez que esteve com o ex-banqueiro, em março de 2025, foi para tratar de temas relacionados a precatórios de interesse do Master.
Nessa terça-feira, Mendonça retirou o sigilo do inquérito da Polícia Federal que trata das relações de Vorcaro com autoridades, incluindo supostos diálogos com o ministro Alexandre de Moraes, e citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF Andrei Rodrigues.
André Mendonça solicitou que o tema seja discutido pelos ministros em plenário do Supremo. A Procuradoria-Geral da República defendeu a nulidade da investigação, alegando que foi feita sem autorização do Supremo, como ordena a legislação.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta matéria. O espaço está aberto para qualquer manifestação.
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