Filhos de pais pobres, aqueles que fazem parte dos 25% mais carentes da população, têm 48% de chances de continuarem pobres na vida adulta. Ou seja, quase metade das crianças mais pobres podem não melhorar de vida, ou não deixar essa situação.

Esse dado está no Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS).

Por outro lado, o estudo mostra que, quem é rico sempre pode subir mais um pouco. Entre os filhos de família que fazem parte dos 25% mais ricos, 56,5% continuam assim quando adultos; e quase 31% podem melhorar ainda mais e chegar aos 10% mais ricos.

O diretor de pesquisa do IMDS, Fernando Veloso, resume.

“É uma sociedade muito estratificada do ponto de vista de renda. Quem nasce pobre tende a permanecer pobre, quem nasce rico tende a permanecer rico. Os filhos não transitam entre classes sociais e permanecem basicamente nas mesmas classes sociais de renda dos pais”.

Para as mulheres, a situação é mais acentuada. O padrão, segundo Fernando Veloso, é que mulheres nascidas em famílias mais pobres têm menor probabilidade de ascensão social.

Desafio semelhante enfrentam os pretos e pardos, em comparação com os brancos. A barreira não é só de renda, mas de cor, raça e gênero.

“As mulheres, de modo geral, hoje em dia, têm até um nível de escolaridade maior que o dos homens, mas elas enfrentam barreiras muito grandes de inserção no mercado de trabalho. Então a taxa de participação das mulheres é menor, os salários são menores. Já no caso dos grupos por cor ou raça, negro, pretos e pardos, aí a educação também é muito importante, porque esses grupos em geral têm escolaridade menor que a dos brancos e têm muita dificuldade de inserção no mercado de trabalho”.

Indicadores municipais

Outro dado que o Atlas mostra é que municípios com melhores indicadores de saúde, educação e mercado de trabalho – e aí a gente fala das grandes capitais e do centro sul do país – têm mais perspectiva de mobilidade social. Aliás, o pesquisador explica o que é isso: mobilidade social.

“Mobilidade social é a gente comparar a renda dos filhos com a renda dos pais e avaliar se os filhos estão melhores ou não que os pais e se a atenção social dos filhos depende da renda dos pais ou não. Então quando a gente fala que tem baixa mobilidade social, a gente está dizendo o seguinte: o filho de um pai que nasceu na família pobre, em geral, o destino dele está muito condicionado à renda dos pais, ele não tem possibilidade muito grande de ascensão social”.

Para fazer o Atlas, os pesquisadores fazem o cruzamento de dados do IBGE, do Ministério do Trabalho e da Receita Federal, por exemplo. Esse estudo mostra, ainda, que a educação é a área mais associada à mobilidade social, a essa mudança de vida.

Municípios com melhores indicadores educacionais tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente. A saída, segundo Fernando Veloso, passa justamente pela educação. Mas não só por ela. O pesquisador afirma que bons indicadores de mercado de trabalho e de saúde também são fundamentais.

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